Série ATLANTIS
Há cerca de 2,5 mil anos, Platão escreveu sobre um império insular fabuloso situado no extremo ocidente. Deu-lhe o nome de Atlântida. Desde então, filósofos e exploradores debateram a sua veracidade, suscitando muitas teorias, e assim a Atlântida, imortalizada por Platão, tem sido considerada por muitos apenas como uma lenda ou um mito. Mas como segundo Fernando Pessoa, o “mytho é o nada que é tudo”, tudo permite uma conjuntura infindável de especulações sobre as histórias perdidas esse tempo sem tempo, tão ainda próximo dos ecos primordiais. De olhos vendados para com o tesouro que habita no nosso interior e que só nós conseguiremos desenterrar e também na envolvência intensa no dia-a-dia esquecemo-nos de interiorizar, de pesquisar as nossas intrínsecas bibliotecas e memórias e assim alcançar mais conhecimento. A magia, e salvaguardando a etimologia da palavra de origem persa, não se deve perder, mas sim revelar-se em nós numa dimensão subtil e espiritual, nomeadamente face às eternas questões que todos fazem: De onde venho? Que maravilhas transporto? Para onde vou? Possuidora de uma autonomia desconcertante, onde tudo é plausível, a arte apresenta-se como essência libertadora das histórias e filosofias de vida e assim ATLANTIS parte numa demanda de cores, formas, códigos e mensagens ocultas, estabelecendo um paralelismo entre o mito da Atlântida, submersa nas profundezas do Atlântico, e as marcas impregnadas no património sagrado e espiritual português, em especial no seu riquíssimo megalitismo. ATLANTIS conta cromaticamente histórias construídas e desconstruídas e intuídas junto ou no mar que já foi chão dos náufragos ou emigrantes atlantes e que terão alcançado as praias do ocidente da Península Ibérica. Com as suas memórias ancestrais e a partir das ruínas de uma civilização perdida, eles podem ter feito surgir uma nova civilização no Ocidente. Com um universo iconográfico abrangente as pinturas são, na sua maioria, realizadas in loco, em locais com interesse arqueológico, com vestígios de épocas Pré-históricas, com monumentos megalíticos, pintura rupestre, fósseis e locais de culto da Deusa-Mãe, da Lua e do Sol. Lugares sagrados de exímia beleza natural simplesmente ou então lugares onde as marcas do Homem, ora por chamamento, ora por encantamento, se erguerem com perenidade na sua comunhão com a Natureza e com o Cosmos. Lugares portadores de um espírito próprio que converge para quem as culta em criatividade e permitem surgirem imagens mágicas. Em simultâneo com as viagens ou peregrinações aos referidos locais pré-históricos, houve um estudo e pesquisa dos temas destacados neste projeto. Mensagens ousadas ou simplesmente sonhadas que, como artista, me conduzem a uma harmoniosa simbiose entre o mundo fantástico e o meu eu, como um ser integrante deste pequeno pedaço de terra repleto de luz – lux – referido por Estrabão, no mundo antigo como Ab coelitis patriae, de pátria ou origem celeste.
Texto de catálogo da série ATLANTIS
A Atlântida é em verdade um dos icebergues que nos chegou da história antiga e perdida da Humanidade graças à referência de Platão no Timeu de ter ouvido aos sacerdotes egípcios menção do desaparecimento da sua última ilha no meio do Atlântico. Os mistérios da sua existência permanecem no séc. XXI, apesar dos estudos e livros tanto de historiadores e arqueólogos, como dos ocultistas ditos clarividentes dos finais do séc. XIX e começos do séc. XX: Helena Blavastky, Rudolf Steiner, Max Heindel e Edgar Cayace, quase todos eles algo devedores da obra Atlantis, The Antedeluvian World, de Ignatius Donnely, de 1882.
A Maria De Fátima oferece-nos uma estreita simbiose nesta série Atlantis entre o que poderia ter sido a Atlântida e o que sabemos terem sido os tempos pré-históricos, nomeadamente em Portugal, com os seus diversos cultos e estreita osmose do ser humano com as pedras e as águas, as aves, os animais, as estrelas, o Sol e a Lua e que a Fátima intui a partir da sua experiência concreta de ter visitado em Portugal muitas antas e tholos, falésias, rios e ecosistemas, em especial os existentes na região da Ericeira em que ela e a sua família vivem ainda hoje cultivando a terra e com animais. ler mais…
Pedro Teixeira da Mota
Da memória das pedras à mítica Atlântida As imagens que a Maria De Fátima Silva nos oferece nestes trabalhos da série Atlantis são de um realismo verdadeiramente mágico, no sentido de que, ao serem vistas ou mesmo contempladas, permitem-nos entrar em dimensões subtis e insuspeitados, vencendo as barreiras do tempo-espaço e fazendo-nos sentir, intuir e comungar energias e emoções, ideias e seres, ritmos e ritos que, realizados e vividos há séculos e séculos, ainda hoje nos tocam, nos movem, nos podem proporcionar expansões e aprofundamentos de sensibilidade e compaixão, de conhecimento e de consciência...
ATLANTIS remete-nos para as épocas mais ancestrais da Humanidade, em que a unidade entre os elementos da Natureza, as pedras, as águas, os peixes, as aves, os animais, os humanos e a intuição das presenças invisíveis dos deuses ou da Deusa eram intimamente sentidas, vividas e celebradas, e de modos tais que, dada a falta de documentos explicativos de tais compreensões e acções, só os mais estudiosos, ou artistas ou sensíveis conseguirão tal imaginar ou tornar a focalizar.
Atlantis - Côa - A - Foz, 2014, Acrílico sobre tela, 120x86 cm
Atlantis - San -Te - La, 2014, Acrílico sobre tela, 120x100 cm
Atlantis - Or - Dem - Eu, 2014, Acrílico sobre tela, 120x86 cm
Atlantis - Bro - As, 2014, Acrílico sobre tela, 30x40 cm
Atlantis - O - Dri, 2012, Acrílico sobre tela, 33x24 cm
Atlantis - Pe - Do - Le, 2014, Acrílico sobre tela, 60x100 cm
Atlantis - Pe - Le - Xim, 2013, Acrílico sobre tela, 30x30 cm
Atlantis - De - U - Sa, 2012, Acrílico sobre tela, 30x30 cm
Atlantis - Cam - Ou - Bu, 2012, Acrílico sobre tela, 40x40 cm
Atlantis - Are - Bran - Vó, 2014, Acrílico sobre tela, 40x40 cm
Atlantis - Odri - Menir, 2012, Acrílico sobre tela, 33x 24 cm
Atlantis - Deu - Sa - Ren - Que, 2012, Acrílico sobre tela, 30x30 cm
Atlantis - Are - Côa, 2014, Acrílico sobre tela, 60x100 cm
Atlantis - Al - Mor - Quim, 2013, Acrílico sobre tela, 40x30 cm
Atlantis - Gia - An - Teu, 2015, Acrílico sobre tela, 40x30 cm
Atlantis - Al - Go - Dio, 2013, Acrílico sobre tela, 60x60 cm
Atlantis - Qué - Vó - Lo, 2015, Acrílico sobre tela, 60x30 cm
Atlantis - Gi - Te - Xas - Teu, 2015, Acrílico sobre tela, 40x30 cm
Atlantis - Comen - Igre II, 2013, Acrílico sobre tela, 90x70 cm
Atlantis - Con - Al - Me, 2011, Acrílico sobre tela, díptico 100x240 cm
Atlantis - Cam - As, 2012, Acrílico sobre tela, 30x30 cm
Atlantis - Cas - Bu - Jal, 2012, Acrílico sobre tela, 30x30 cm
Atlantis - En - Céu - Ter, 2013, Acrílico sobre tela, 33x23 cm
Atlantis - Te - Xas, 2016, Acrílico sobre tela, 23x30 cm
Atlantis - For - Mil - Gos, 2013, Acrílico sobre tela, 30x40 cm
Atlantis - Ne - Dos - Goa, 2013, Acrílico sobre tela, 40x30 cm
Atlantis - Cam - Be - Las III, 2012, Acrílico sobre tela, 40x30 cm
Atlantis - Foz - An - Dro, 2012, Acrílico sobre tela, 30x30 cm
Atlantis - Tholos Versus Tholos, 2013, Acrílico sobre tela, díptico 120x60 cm
Atlantis - Are - Bran - Vó, 2016, Acrílico sobre tela, 60x100 cm
Atlantis - Mada - Deu, 2015, Acrílico sobre tela, 30x40 cm
Atlantis - Al- Men - Gár, 2014, Acrílico sobre tela, 24x33 cm
Atlantis - For - Zambu, 2013, Acrílico sobre tela, 30x40 cm
Atlantis - Cam - Be, 2012, Acrílico sobre tela, 30x40 cm
Atlantis - Tho - Los - Ba, 2010, Acrílico sobre tela, 18x24 cm
Atlantis - Mal - Ma, 2013, Acrílico sobre tela, 40x30 cm
Atlantis - Gi - Gra - Fó, 2015, Acrílico sobre tela, 60x100 cm
Atlantis - Al - Gre, 2014, Acrílico sobre tela, 60x100 cm
Atlantis - São - Ju - Lião, Acrílico sobre tela, 40x30 cm
Atlantis - Foz - Li, 2015, Acrílico sobre tela, 30x30 cm
Atlantis - Com - Ju - Eiros, 2013, Acrílico sobre tela, 60x100 cm
Atlantis - Ri - Bei - Ilhas, 2012, Acrílico sobre tela, 40x30 cm
Atlantis - Primordial, 2009, Técnica mista sobre tela, conjunto aprox. 170x158 cm