Série ANGELIS

Em ANGELIS está o conjunto dos primeiros trabalhos desenvolvidos durante, e no seguimento, de uma residência artística que realizei num pequeno templo em fevereiro de 2021. 

Atualmente um pequeno templo, a sua origem remonta ao séc. XIII, segundo o primeiro registo, e ao longo dos séculos sofreu várias mudanças, nomeadamente após o terramoto de 1755 que o transformou numa edificação de dimensões mais reduzidas.

Sendo as raízes telúricas e os florescimentos anímicos da história milenar de Portugal uma das realidades e inspirações que me movem como criadora artística, procuro em ANGELIS construir e desconstruir imagens sentidas neste espaço contemplativo e na abrangência do lugar e em seu redor. São as emoções sentidas, as memórias do espaço e a História pesquisada que influenciam as imagens pictóricas personalizadas. Os elementos que compõem a narrativa pictórica relacionam-se com o mundo angélico, o mundo da matéria e os ciclos de memórias e vivências do espaço onde foi construído o Templo, que foi denominado Fanga da Fé.

                                                                              

Texto de catálogo da série ANGELIS

Esta conjugação das entidades a que particularmente se tem dedicado a Maria De Fátima levaram-na a gerar um conjunto de pinturas denominadas Angelis, Anjos, e nas quais estas misteriosas mas reais, ainda que subtis, entidades nos surgem de diferentes modos e invocações: inesianas, locais, actuais e dos simples Anjos da Guarda aos Arcanjos, e que nestas janelas e altares que são as suas telas tão dinâmicas, serão por cada um dos visitantes, vistas e contempladas, sentidas e assimiladas pessoalmente... 

Resta-nos destacar a harmoniosa conjunção dos opostos nos temas e nas cores, no humano e no angélico, e desejar que quem contemple mais demoradamente estas poderosas e por vezes enigmáticas pinturas possa adivinhar e sentir o sagrado, as ligações entre a Terra e o Céu que elas partilham e ter mesmo alguma intuição ou experiência unitiva com o que está evocado e invocado, e que a Maria De Fátima durante cerca de dois meses bem viveu e trabalhou in-loco.

                                                                                            

Pedro Teixeira da Mota

Se o cruzamento de dados informativos é nos nossos dias estonteante, as visitações ao passado intensificam ainda tal desafio, sobretudo se a alma investigadora, historiadora ou artística está munida da necessária sensibilidade, gnose, intuição e paciência para poder sondar os muitos tempos, espaços e seres históricos ou subtis que se cruzam com ela, ou a que ela pode ter acesso.

É o caso da Maria De Fátima Silva que, amadurecida pelas suas criações e exposições sobre Atlantis, Mitos e Lendas e sobretudo Inês de Castro e Dom Pedro, resolveu embrenhar-se numa mítica caverna platónica, no útero da terra, mais concretamente numa capela antiga, e expôs-se às múltiplas vibrações que se vieram a plasmar em sonhos, imagens e ideias e materializar nas telas em cores e formas, ora claras ora misteriosas e que tanto nos encantam como desafiam.

No concelho Mafra, a capela de Fanga da Fé, restaurada após o terramoto de 1755, encerra memórias tanto orais como materiais, e além dum 1º registo de 1220, admite-se ter-se celebrado nela pela alma de Inês de Castro, pois foi de D. Afonso IV e D. Beatriz, e que um dos intermediários da Divindade invocados num retábulo de altar lateral era S. Miguel e Almas, tendo mesmo havido Irmandade.

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